É um cobarde
TOMAZ ANDRADE Vítor Baía acusou ontem Luiz Felipe Scolari, ex-seleccionador nacional e actual treinador do Chelsea, de "cobardia" por não ter coragem de publicamente explicar as razões que o afastaram da Selecção Nacional. "A situação que vivi na Selecção Nacional é algo que me entristece bastante. Acima de tudo, pela falta de frontalidade das pessoas e pela cobardia, nomeadamente do seleccionador nacional, que não assumiu publicamente as razões do meu afastamento. Não o fez enquanto seleccionador e agora mandou um amigo jornalista dizer umas asneiras em relação a isso. Enquanto não for ele, pela sua boca, a dizer a razão do meu afastamento, que eu sei não existir, mas que não tem a coragem de dizer, vamos continuar a não saber o porquê de toda esta situação", disse o agora director das relações externas do FC Porto, em declarações à Rádio Renascença.
As críticas não são novas, mas desta vez subiram de tom. "Não acredito que [Scolari] tenha coragem de o fazer alguma vez [dizer publicamente as razões do afastamento de Vítor Baía]. Agora foi o José Carlos Freitas, através de um livro, que falou da minha ausência da Selecção Nacional com motivos que me soaram ridículos. Acaba por ser a voz do próprio Scolari, mas cobardemente. Ele [Scolari] não tem coragem ainda de dizer publicamente as razões do meu afastamento", insistiu o ex-guarda-redes do FC Porto, que somou 80 internacionalizações com a camisola da principal selecção de Portugal.
"Carlos Queiroz coloca a jogar quem merece"
Em contraponto a Scolari, Carlos Queiroz mereceu os mais rasgados elogios de Vítor Baía. "A sua vinda pode trazer maior equilíbrio em todas as posições, porque não temos tantos jogadores adaptados. Pode trazer esse equilíbrio, pode consolidar a Selecção e colocar a jogar quem merece. Sempre achei que se devia chegar à Selecção através do trabalho e dos jogos", explicou. Com Carlos Queiroz, "um treinador de top mundial, Portugal só tem a ganhar com a sua experiência", acrescentou Vítor Baía.
Adeus após o Mundial
Scolari chegou a Portugal a 12 de Fevereiro de 2003, ainda na ressaca de uma má participação lusa no Mundial da Coreia e do Japão. Logo na primeira convocatória, deu a entender que Baía não faria parte das suas opções. A última chamada do guarda-redes ocorreu em Setembro de 2002, por ordem de Agostinho Oliveira.
A culpa de Mourinho
A guerra em torno do afastamento começou com Mourinho, que, após a primeira convocatória de Scolari, considerou Baía "o melhor guarda -redes português, com alguma distância". Scolari terá encarado isso como uma interferência no seu trabalho, sentindo que, se o chamasse, "estaria a dar um sinal de cedência a pressões exteriores". Esta versão é contada no livro que Baía citou.
Juntos em Basileia
De costas voltadas internamente, os destinos de Vítor Baía, Scolari e Ricardo cruzaram-se em Basileia. Os três estiveram presentes num jogo de beneficência organizado pela UNICEF, em 2004. Apesar de terem viajado, almoçado e jantado juntos, não terá havido tempo ou vontade para uma reconciliação. Afinal, as picardias continuam.
Scolari em silêncio
À saída do Fórum de Treinadores de Elite da UEFA, Luiz Felipe Scolari, visado pelas palavras de Vítor Baía, foi abordado pelos jornalistas portugueses, mas preferiu permanecer em silêncio fazendo sinal de que não pretendia falar. Aliás, o técnico nem deu hipóteses para que lhe fosse explicado o assunto em causa. Hoje, há nova oportunidade.