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Katia :: My Profile (243 views)
 

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29

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January 30

Location

Campinas, Brazil

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English, Portuguese

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Oct 17, 2007 6:33 AM
 
Oi muié!
Waaaaaaaaaaaaaa...
Cadê você???
Não aparece nessa jossa
nem com reza brava!!!
rs
bjins
 
 
 
 
 
Jun 19, 2007 4:11 PM
Abel says:
 
LIVRO DA TERRA E DOS HOMENS

Os homens eram sombrios,
esfinges de solidão.

Os homens eram sombrios,
quiseram tecer de sonhos
a água verde dos rios.

Os homens eram amargos,
quiseram compor o cisne
nas águas verdes dos lagos.

Os homens eram ardentes
como tochas de amaranto;
sobre o rosto do poente
deixaram rosas de pranto.

Os homens eram calados,
torres de vazio.

Eram terríveis, terríveis
contra o céu de esquecimento;
lançavam gumes de fogo
e adormeciam no vento.

Os homens eram de vento
(de um vento predestinado);
braços de ferro no tempo,
entre o presente e o passado.

Os homens eram profundos
na superfície das cousas
e ali ficavam no mundo
dos rosalábios e rosas.

Os homens eram ferozes
como estrelas de ambição;
mas no tempo-primavera,
se primavera chegasse,
eram brandos como espuma,
eram virgens como espada;
eram suaves, suaves
como aves de abandono.

Os homens eram de estrela,
soprando sobre o canal;
não era estrela de noite,
mas estrela de metal.

Os homens eram de estrela
e não podiam sustê-la.

Os homens eram de treva,
fizeram-se escravos dela.

Os homens eram remotos
no grande túnel de pedra.

Nem alga, nem alfazema,
nem junco, nem girassol,

floração ali não medra,
longe da terra do sol.

Floração ali não medra;
tudo o que nasce é de pedra.

O homem nasceu do vento
mas sepultou-se na pedra.

O tempo nasceu do homem
mas o homem não é pedra.

O tempo formou-se pedra
na eternidade de pedra.

Um sol compreendeu o homem;
era fogoso e de pedra.

Menino não como os outros,
menino feito de pedra.

Braços, só braços e mãos
na madrugada de pedra.

Os homem donde vieram,
se o seu destino é de pedra?

Que procuravam os homens
na eternidade de pedra?

Eram hálitos de aurora,
luz florescendo caverna?

Eram só pedra.

Talvez fonte, vento vento,
folhagem sobre montanha,
cintilações, pensamento?

Eram só pedra.

Talvez crianças relâmpagos,
Paredes de som, cantigas?

Eram só pedra.

Rostos ocultos no sono,
barcos de ânsia, velame?

Eram só pedra.

Talvez carícia, sossego,
desejo de despertar?

Eram só pedra de pedra.
Os deuses eram de pedra,
os homens eram de pedra
na eternidade da pedra.

Pedra de aurora mas pedra.
os homens eram pedras.

Lábios de pedra mas pedra
os homens eram pedras.

Ventre de pedra mas pedra,
os homens eram pedras.

Noite de pedra mas pedra,
os homens eram pedras,
os homens eram pedras,
os homens eram as pedras.

Eram as pedras, as pedras,
eram as pedras.

CARLOS NEJAR 1963

Beijinhos ternos
 
 
Jun 13, 2007 9:22 AM
Abel says:
 
Versos Libres

Alan Velasquez



Del cielo tan lejano por sitios escondidos
los aires de los dioses se pierden entre mantos,
queriendo entender la razón de humanos
despojados de sus tributos de vasallos.
Oh mar que inundas el horizonte
que transpones los bellos cantos aurorales
de corazones gitanos,
desciende de tus botes aurales
para ver tus entrañas voraces.
Cuántas palabras que quieren cantar
Cuántos deseos que quieren brotar,
por las montañas andina destrozar
los sentidos de miseria y valor
de la heróica mentira que es la vida.
Versos depuestos en confución,
Versos dispuestos a cambiar con veloz
ambiente matinal al som….. de luces
que nadie entiende porqué son tenues
saltos de voces alondrinadas sin sabor.
El día comienza a tapar los montes
de oscuridad, comienza un cosechar,
un labrar, un cocinar, un pensar,
un pequeño guijarro al caminar….
…………………………………..
Que las palabras cobren vida
en tu pecho de servidor
de dudas en arrabal
lleno de posibles encuentros
con la verdad

beijinhos
……………
 
 
 
 
May 26, 2007 10:44 AM
Abel says:
 
PRA A MINHA AMIGA E IRMA,COM RESPEITO E MUITA AMIZADE

NA MÃO DE DEUS

Na mao de Deus, na sua mao direita,
Descansou afinal meu coracao.
Do palacio encantado da Ilusao
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorancia infantil, despojo vao,
Depus do Ideal e da Paixao
A forma transitoria e imperfeita.

Como crianca. em lobrega jornada,
Que a mae leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coracao liberto,
Dorme na mao de Deus eternamente

ANTERO DE QUENTAL!

Que Buda te ilumine o coracao com a luz da sabedoria.

Beijos
 
May 24, 2007 3:32 PM
Abel says:
 
Julio Maria dos Reis Pereira, irmao de Jose Regio, foi poeta do movimento da Presenca, assinando os poemas com o nome de Saul Dias. Viveu na cidade do Porto onde se licenciou em engenharia civil pela Faculdade de Engenharia. Colaborou em varios jornais e cultivou o desenho e a pintura. Existe uma relacao muito proxima entre a sua producao poetica e a sua actividade como artista plastico



Escrever um livro, Criar um filho, Plantar uma arvore

Escrevi um livro.
Quantos anos a sonha-lo,
A rascunha-lo nas mesas dos cafes,
A escreve-lo nos intervalos do emprego,
A vive-lo,
A sofre-lo,
Na provincia, nas cidades...!
Criei um filho.
Tanta alegria no meu coracao!

So ainda nao plantei uma arvore.
O fragil caule como protege-lo?
Como nao deixar que os bichos
Maculem as pequeninas folhas?
E como dialogar com uma arvore-menina?
Agora vai sendo tempo.
Os anos já me pesam.
Amanha vou plantar uma arvore

SAUL DIAS.

Beijinhos doces
 
 
May 23, 2007 4:26 PM
Abel says:
 
Fel e uma especie de diario poetico dos ultimos dias de Jose Duro. O poema ,Doente, que encerra o livro, e uma longa confissao de amargura e desespero de um jovem que sabe ja que a morte esta muito proxima. Nao resisto aqui a transcrever a parte final desse poema numa ortografia actualizada.Com Antonio Nobre e Cesario Verde forma a trIade dos grandes poetas novecentistas portugueses que morreram prematuramente,tinha vinte e trez anos.

DOENTE

Que negro mal o meu! estou cada vez mais rouco!
Fogem de mim com asco as virgens de olhar calido...
E os velhos, quando passo, vendo-me tao palido,
Comentam entre si: coitado, esta por pouco!...
Por isso tenho odio a quem tiver saude,
Por isso tenho raiva a quem viver ditoso,
E, odiando toda a gente, eu amo o tuberculoso.
E so estou contente ouvindo um alaude.
Cada vez que me estudo encontro-me diferente,
Quando olham para mim e certo que estremeco;
E vai, pensando bem, sou, como toda a gente,
O contrario talvez daquilo que pareco...
Espirito irrequieto, fantasia ardente,
Adoro como Poe as doidas criacoes,
E se nao bebo absinto e porque estou doente,
Que eu tenho como ele horror as multidoes.
E amando doudamente as formas incompletas
Que as vezes nao consigo, enfim, realizar,
Eu sinto-me banal ao pe dos mais poetas,
E, achando-me incapaz, deixo de trabalhar...
Sao filhos do meu tedio e duma dor qualquer
Meus sonhos de neurose horrivelmente histericos
Como as larvas ruins dos corpos cadavericos,
Ou como a aspiracao de Charles Baudelaire.
Apraz-me o simbolismo ingenito das coisas...
E aos labios da Mulher, a desfazer-se em beijos,
Prefiro os labios maus das negregadas loisas,
Abrindo num ancelar de morbidos desejos.
E e vao que medito e e em vao que sonho:
Meu coracao morreu, minha alma e quase morta...
Ja sinto emurchecer no cranio a flor do Sonho,
E oico a Morte bater, sinistra, a minha porta...
Estou farto de sofrer, o sofrimento cansa,
E, por maior desgraca e por maior tormento,
Chego a julgar que tenho, estupida lembrança,
Uma alma de poeta e um pouco de talento!
A doenca que me mata e moral e fisica!
De que me serve a mim agora ter esperancas,
Se eu nao posso beijar as trémulas criancas,
Porque ao meu labio aflui o toxico da tisica?
E morro assim tao novo! Ainda nao ha um mes,
Perguntei ao Doutor: Entao? Hei-de cura-lo...
Porem ja nao me importo, e bom morrer, deixa-lo!
Que morrer e dormir... dormir... sonhar talvez...
Por isso irei sonhar debaixo dum cipreste
Alheio a seducao dos ideais perversos...
O poeta nunca morre embora seja agreste
A sua aspiracao e tristes os seus versos!

JOSE DURO


Jose Duro, morreu numa chuviscosa e fria manha de Janeiro de 1899. A primeira edicao de Fel aterrara nos escaparates dos livreiros uns dias antes.

BEIJINHOS
 
May 23, 2007 3:34 PM
Abel says:
 
E do Mestre Cutileiro,um fragmento do poema.Espero que gostes.

E a medo que escrevo.A medo que penso
A medo que sofro e empeendo e calo.
A medo peso os termos quando falo.
A medo me renego,me convenco.


A medo amo.A medo me pertenco.
A medo repouso no intervalo
De outros medos.A medo e que resvalo
O corpo escrutador,inquieto,tenso.

Que Buda esteja sempre no teu coracao

beijinhos
 
May 23, 2007 3:51 AM
Abel says:
 
Vou substituir a poesia pos este texto fantantico de conteudo humanista que me foi enviado por um jovem,o Ruben,talvez das personagens que mais me marcou aqui na net.Escreveu-o para o meu grupo dos sem abrigo e merece toda a nossa atencao e reflexao.






Um mendigo so o e porque mendiga. Somos nos, la do alto do nosso assento, la do alto do nosso orgulho, da nossa cegueira, da nossa pobreza, que atribuimos de leve ao mendigo o substantivo derivado do verbo mendigar. E mendigar eh pior do que pedir, eh pior do que nao ter; mendigar eh um pedir de olhos baixos, envergonhados, eh quase uma resignacao a ter que ficar com o que sobra, como um pobre cao que guarda as migalhas que lhe caem da mesa do dono... e vai come-las, no silencio da sua casota. Mas, o mendigo muitas vezes eh menos mendicante do que nohs, que mascaramos a nossa falta de amor e de liberdade por tras de um hipocrisia sem fim, de um medo de assumir, de crescer e tudo largar e simplesmente correr! Para muitos, a vida encarrega-se de o despojar, ja que por si so nunca o faria. O estatuto, o dinheiro, da poder, poe galoes nos ombros porque sem eles nao se eh nada... A vida encarrega-se de desmentir tudo isto. As barreiras que se criam ao estendermos perante os nossos iguais a soberba de um estatuto, por inteiro se quebram quando dele estamos privados. E so no despojamento total podemos olhar e ver como eram de barro os pes dos idolos que adoravamos. No despojamento nao ha estatutos, senao rotulos como mendigo, ou inadaptado. No despojamento ha outra dimensao que somos obrigados a cultivar - o Ser. Temos de nos valer pelo que somos, porque agora os galoes nao sao mais do que ruinas de um tempo seivado de pobreza de espirito. Oh meu Deus, feliz do que todo se despoja, do que toca o chao poeirento, com humildade, e porque desceu a Terra, mais plenamente subira aos Ceus. Feliz daquele que quebrou todos os muros entre si e os outros homens, e aprendeu a ve-los no mesmo horizonte, nem mais alto, nem mais baixo. Feliz do que Ama plenamente! Quero dedicar estas minhas palavras a uma pessoa do meu curso, que em tempos foi mendigo, e hoje eh dos mais dedicados e interessados condiscipulos que encontrei em toda a minha vida.

Um beijo do tamanho do Mundo!
 
May 22, 2007 11:21 AM
Abel says:
 
Poeta frances. Simbolista, seu lirismo musical abriu novos caminhos para a poesia na França.

UMA MULHER

Para vos sao estes versos, pela consoladora
Graca dos olhos onde chora e ri um sonho
Doce, pela vossa alma pura e sempre boa,
Versos do fundo desta aflicao opressora.

Porque, ai! o pesadelo hediondo que me assombra
Não da treguas e, louco, furioso, ciumento,
Multiplica-se como um cortejo de lobos
E enforca-se com o meu destino que ensanguenta!

Ah ! sofro horrivelmente, ao ponto de o gemido
Desse primeiro homem expulso do Paraiso
Nao passar de uma ecloga à vista do meu !

E os cuidados que vos podeis ter sao apenas
Andorinhas voando a tarde pelo ceu
- Querida - num belo dia ameno de setembro.

Verlaine

BEIJINHOS DOCES
 
May 22, 2007 10:16 AM
Abel says:
 
Minha querida e boa irma:correndo o risco de ser banal nestas coisas da poesia,enviando-te Camoes,faco-o sem qualquer constrangimento,porque,na verdade, acho estes sonetos fantasticos.So Camoes assim escrevia.Repara bem no ritimo,fabuloso!




Aquela que, de pura castidade,
de si mesma tomou cruel vinganca
por sua breve e subita mudanca
contraria a sua honra e qualidade,

venceu a fermosura a honestidade,
venceu no fim da vida a esperanca,
por que ficasse viva tal lembranca,
tal amor, tanta fe, tanta verdade.

De si, da gente e do mundo esquecida,
feriu com duro ferro o brando peito,
banhando em sangue a forca do tirano.

Estranha ousadia! estranho feito!
Que, dando breve morte ao corpo humano,
tenha sua memoria larga vida!

Luis Vaz de Camoes

Que Buda ilumine sempre teu bom coracao

Beijo
 

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