Os homens eram sombrios, quiseram tecer de sonhos a água verde dos rios.
Os homens eram amargos, quiseram compor o cisne nas águas verdes dos lagos.
Os homens eram ardentes como tochas de amaranto; sobre o rosto do poente deixaram rosas de pranto.
Os homens eram calados, torres de vazio.
Eram terríveis, terríveis contra o céu de esquecimento; lançavam gumes de fogo e adormeciam no vento.
Os homens eram de vento (de um vento predestinado); braços de ferro no tempo, entre o presente e o passado.
Os homens eram profundos na superfície das cousas e ali ficavam no mundo dos rosalábios e rosas.
Os homens eram ferozes como estrelas de ambição; mas no tempo-primavera, se primavera chegasse, eram brandos como espuma, eram virgens como espada; eram suaves, suaves como aves de abandono.
Os homens eram de estrela, soprando sobre o canal; não era estrela de noite, mas estrela de metal.
Os homens eram de estrela e não podiam sustê-la.
Os homens eram de treva, fizeram-se escravos dela.
Os homens eram remotos no grande túnel de pedra.
Nem alga, nem alfazema, nem junco, nem girassol,
floração ali não medra, longe da terra do sol.
Floração ali não medra; tudo o que nasce é de pedra.
O homem nasceu do vento mas sepultou-se na pedra.
O tempo nasceu do homem mas o homem não é pedra.
O tempo formou-se pedra na eternidade de pedra.
Um sol compreendeu o homem; era fogoso e de pedra.
Menino não como os outros, menino feito de pedra.
Braços, só braços e mãos na madrugada de pedra.
Os homem donde vieram, se o seu destino é de pedra?
Que procuravam os homens na eternidade de pedra?
Eram hálitos de aurora, luz florescendo caverna?
Eram só pedra.
Talvez fonte, vento vento, folhagem sobre montanha, cintilações, pensamento?
Eram só pedra.
Talvez crianças relâmpagos, Paredes de som, cantigas?
Eram só pedra.
Rostos ocultos no sono, barcos de ânsia, velame?
Eram só pedra.
Talvez carícia, sossego, desejo de despertar?
Eram só pedra de pedra. Os deuses eram de pedra, os homens eram de pedra na eternidade da pedra.
Pedra de aurora mas pedra. os homens eram pedras.
Lábios de pedra mas pedra os homens eram pedras.
Ventre de pedra mas pedra, os homens eram pedras.
Noite de pedra mas pedra, os homens eram pedras, os homens eram pedras, os homens eram as pedras.
Del cielo tan lejano por sitios escondidos los aires de los dioses se pierden entre mantos, queriendo entender la razón de humanos despojados de sus tributos de vasallos. Oh mar que inundas el horizonte que transpones los bellos cantos aurorales de corazones gitanos, desciende de tus botes aurales para ver tus entrañas voraces. Cuántas palabras que quieren cantar Cuántos deseos que quieren brotar, por las montañas andina destrozar los sentidos de miseria y valor de la heróica mentira que es la vida. Versos depuestos en confución, Versos dispuestos a cambiar con veloz ambiente matinal al som….. de luces que nadie entiende porqué son tenues saltos de voces alondrinadas sin sabor. El día comienza a tapar los montes de oscuridad, comienza un cosechar, un labrar, un cocinar, un pensar, un pequeño guijarro al caminar…. ………………………………….. Que las palabras cobren vida en tu pecho de servidor de dudas en arrabal lleno de posibles encuentros con la verdad
Julio Maria dos Reis Pereira, irmao de Jose Regio, foi poeta do movimento da Presenca, assinando os poemas com o nome de Saul Dias. Viveu na cidade do Porto onde se licenciou em engenharia civil pela Faculdade de Engenharia. Colaborou em varios jornais e cultivou o desenho e a pintura. Existe uma relacao muito proxima entre a sua producao poetica e a sua actividade como artista plastico
Escrever um livro, Criar um filho, Plantar uma arvore
Escrevi um livro. Quantos anos a sonha-lo, A rascunha-lo nas mesas dos cafes, A escreve-lo nos intervalos do emprego, A vive-lo, A sofre-lo, Na provincia, nas cidades...! Criei um filho. Tanta alegria no meu coracao!
So ainda nao plantei uma arvore. O fragil caule como protege-lo? Como nao deixar que os bichos Maculem as pequeninas folhas? E como dialogar com uma arvore-menina? Agora vai sendo tempo. Os anos já me pesam. Amanha vou plantar uma arvore
Fel e uma especie de diario poetico dos ultimos dias de Jose Duro. O poema ,Doente, que encerra o livro, e uma longa confissao de amargura e desespero de um jovem que sabe ja que a morte esta muito proxima. Nao resisto aqui a transcrever a parte final desse poema numa ortografia actualizada.Com Antonio Nobre e Cesario Verde forma a trIade dos grandes poetas novecentistas portugueses que morreram prematuramente,tinha vinte e trez anos.
DOENTE
Que negro mal o meu! estou cada vez mais rouco! Fogem de mim com asco as virgens de olhar calido... E os velhos, quando passo, vendo-me tao palido, Comentam entre si: coitado, esta por pouco!... Por isso tenho odio a quem tiver saude, Por isso tenho raiva a quem viver ditoso, E, odiando toda a gente, eu amo o tuberculoso. E so estou contente ouvindo um alaude. Cada vez que me estudo encontro-me diferente, Quando olham para mim e certo que estremeco; E vai, pensando bem, sou, como toda a gente, O contrario talvez daquilo que pareco... Espirito irrequieto, fantasia ardente, Adoro como Poe as doidas criacoes, E se nao bebo absinto e porque estou doente, Que eu tenho como ele horror as multidoes. E amando doudamente as formas incompletas Que as vezes nao consigo, enfim, realizar, Eu sinto-me banal ao pe dos mais poetas, E, achando-me incapaz, deixo de trabalhar... Sao filhos do meu tedio e duma dor qualquer Meus sonhos de neurose horrivelmente histericos Como as larvas ruins dos corpos cadavericos, Ou como a aspiracao de Charles Baudelaire. Apraz-me o simbolismo ingenito das coisas... E aos labios da Mulher, a desfazer-se em beijos, Prefiro os labios maus das negregadas loisas, Abrindo num ancelar de morbidos desejos. E e vao que medito e e em vao que sonho: Meu coracao morreu, minha alma e quase morta... Ja sinto emurchecer no cranio a flor do Sonho, E oico a Morte bater, sinistra, a minha porta... Estou farto de sofrer, o sofrimento cansa, E, por maior desgraca e por maior tormento, Chego a julgar que tenho, estupida lembrança, Uma alma de poeta e um pouco de talento! A doenca que me mata e moral e fisica! De que me serve a mim agora ter esperancas, Se eu nao posso beijar as trémulas criancas, Porque ao meu labio aflui o toxico da tisica? E morro assim tao novo! Ainda nao ha um mes, Perguntei ao Doutor: Entao? Hei-de cura-lo... Porem ja nao me importo, e bom morrer, deixa-lo! Que morrer e dormir... dormir... sonhar talvez... Por isso irei sonhar debaixo dum cipreste Alheio a seducao dos ideais perversos... O poeta nunca morre embora seja agreste A sua aspiracao e tristes os seus versos!
JOSE DURO
Jose Duro, morreu numa chuviscosa e fria manha de Janeiro de 1899. A primeira edicao de Fel aterrara nos escaparates dos livreiros uns dias antes.
Vou substituir a poesia pos este texto fantantico de conteudo humanista que me foi enviado por um jovem,o Ruben,talvez das personagens que mais me marcou aqui na net.Escreveu-o para o meu grupo dos sem abrigo e merece toda a nossa atencao e reflexao.
Um mendigo so o e porque mendiga. Somos nos, la do alto do nosso assento, la do alto do nosso orgulho, da nossa cegueira, da nossa pobreza, que atribuimos de leve ao mendigo o substantivo derivado do verbo mendigar. E mendigar eh pior do que pedir, eh pior do que nao ter; mendigar eh um pedir de olhos baixos, envergonhados, eh quase uma resignacao a ter que ficar com o que sobra, como um pobre cao que guarda as migalhas que lhe caem da mesa do dono... e vai come-las, no silencio da sua casota. Mas, o mendigo muitas vezes eh menos mendicante do que nohs, que mascaramos a nossa falta de amor e de liberdade por tras de um hipocrisia sem fim, de um medo de assumir, de crescer e tudo largar e simplesmente correr! Para muitos, a vida encarrega-se de o despojar, ja que por si so nunca o faria. O estatuto, o dinheiro, da poder, poe galoes nos ombros porque sem eles nao se eh nada... A vida encarrega-se de desmentir tudo isto. As barreiras que se criam ao estendermos perante os nossos iguais a soberba de um estatuto, por inteiro se quebram quando dele estamos privados. E so no despojamento total podemos olhar e ver como eram de barro os pes dos idolos que adoravamos. No despojamento nao ha estatutos, senao rotulos como mendigo, ou inadaptado. No despojamento ha outra dimensao que somos obrigados a cultivar - o Ser. Temos de nos valer pelo que somos, porque agora os galoes nao sao mais do que ruinas de um tempo seivado de pobreza de espirito. Oh meu Deus, feliz do que todo se despoja, do que toca o chao poeirento, com humildade, e porque desceu a Terra, mais plenamente subira aos Ceus. Feliz daquele que quebrou todos os muros entre si e os outros homens, e aprendeu a ve-los no mesmo horizonte, nem mais alto, nem mais baixo. Feliz do que Ama plenamente! Quero dedicar estas minhas palavras a uma pessoa do meu curso, que em tempos foi mendigo, e hoje eh dos mais dedicados e interessados condiscipulos que encontrei em toda a minha vida.
Poeta frances. Simbolista, seu lirismo musical abriu novos caminhos para a poesia na França.
UMA MULHER
Para vos sao estes versos, pela consoladora Graca dos olhos onde chora e ri um sonho Doce, pela vossa alma pura e sempre boa, Versos do fundo desta aflicao opressora.
Porque, ai! o pesadelo hediondo que me assombra Não da treguas e, louco, furioso, ciumento, Multiplica-se como um cortejo de lobos E enforca-se com o meu destino que ensanguenta!
Ah ! sofro horrivelmente, ao ponto de o gemido Desse primeiro homem expulso do Paraiso Nao passar de uma ecloga à vista do meu !
E os cuidados que vos podeis ter sao apenas Andorinhas voando a tarde pelo ceu - Querida - num belo dia ameno de setembro.
Minha querida e boa irma:correndo o risco de ser banal nestas coisas da poesia,enviando-te Camoes,faco-o sem qualquer constrangimento,porque,na verdade, acho estes sonetos fantasticos.So Camoes assim escrevia.Repara bem no ritimo,fabuloso!
Aquela que, de pura castidade, de si mesma tomou cruel vinganca por sua breve e subita mudanca contraria a sua honra e qualidade,
venceu a fermosura a honestidade, venceu no fim da vida a esperanca, por que ficasse viva tal lembranca, tal amor, tanta fe, tanta verdade.
De si, da gente e do mundo esquecida, feriu com duro ferro o brando peito, banhando em sangue a forca do tirano.
Estranha ousadia! estranho feito! Que, dando breve morte ao corpo humano, tenha sua memoria larga vida!
Waaaaaaaaaaaaaa...
Cadê você???
Não aparece nessa jossa
nem com reza brava!!!
rs
bjins