São quase 4:00h da manhã se o meu relógio não me engana e aqui estou eu, uma miserável cheia de sono agarrada a códigos, a artigos que me parecem intermináveis, a livros imensos, a folhas soltas a acreditar no amanhã...
Estou deformada... sinto-me cansada, exausta, como se a minha cabeça não comportasse uma só letra mais, a ouvir um ronco profundo do São Bernardo deitado aos meus pés.
Paro para pensar e fumo um cigarro, fecho uma vez mais os olhos com a mão esquerda obrigando-os a abrir em seguida e questiono pela milésima vez se valerá a pena...
Faço uma espécie de semi-circulo e encosto a cabeça cansada ás costas, levanto-me e vou até à janela... a mesma janela que vejo há dias...
E pior e que me volto a sentar na mesma cadeira, dobrando o corpo na mesma posição, criando em mim um desagradável mau estar, já com a certeza que depois de tudo, de tantas e tantas noites como a de hoje, possivelmente não vale...
Mas por teimosia, capricho, ou por amor, vou acreditar pelo menos uma vez mais, e vou pegar nas folhas soltas, e acreditar que sim antes de dormir...